TIRU-PURUSHAM: O sagrado criador

Por: www.grafismorupestre.com

E se sua imagem sagrada de criador fosse depredada?

O que mais degrada os sítios arqueológicos na região dos Campos Gerais é a ação humana, e o extremo ao qual o homem moderno pode chegar é tentar registrar sua presença no local através do rabisco com pedras ou de qualquer outra forma sobre as pinturas milenares.

Este tipo de depredação é irreversível pois ataca diretamente a pintura e a tentativa de recuperá-la pode degradá-la ainda mais.

As figuras abaixo mostram com tristeza o que “seres humanos conhecidos como sapiens”, sem a mínima noção da importância histórica das pinturas, fazem ao visitarem os abrigos. Nós queremos acreditar que estas pessoas simplesmente ignoram os fatos por falta de conhecimento e informação.

Com certeza este admirador do Sagrado Criador não tem um estado de espírito elevado, depredando pinturas tão antigas quanto a Cultura Hindu. Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa - Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.

Figura 1: Com certeza este admirador do Sagrado Criador não tem um estado de espírito elevado, depredando pinturas tão antigas quanto a Cultura Hindu. Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa – Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.

Detalhe da depredação sobre as figuras de Aves no Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa - Paraná. Foto: Cristiano Gonçalves, 2009.Figura 2: Detalhe da depredação sobre as figuras de Aves no Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa – Paraná. Foto: Cristiano Gonçalves, 2009.

É certo que o homem sente necessidade quase que instintiva de registrar sua presença, o que é também um dos motivos de nossos antepassados pintarem as pedras, mas será que é necessário que escrevam sobre as pinturas com tanta parede por perto?

Outro painel, representando cervídeos prejudicado pela fuligem e rabiscos no Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa - Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.Figura 3: Outro painel, representando cervídeos prejudicado pela fuligem e rabiscos no Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa – Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.

Das duas uma, ou essas pessoas têm problemas de visão, ou são desinformadas sobre a idade e a importância histórica do grafismo rupestre de nossos antepassados.

Para o primeiro caso sugerimos um Oftalmologista.

O segundo caso é um pouco mais difícil, mas vale informar que as pinturas da região dos Campos Gerais, segundo PARELLADA (et al., 2006), possuem até dez mil anos de idade (o método de datação mais aceito no meio científico é conhecido como datação por radiocarbono); e que os grupos humanos que realizaram estas pinturas pertenciam à divisão de tradições das pinturas rupestres brasileiras chamada “Tradição Planalto” vindos da região centro-oeste brasileira e mais remotamente de além dos Andes.

Relembrando de outro “post”: os sítios arqueológicos são patrimônios da União, isso significa que não são propriedades particulares nas quais pode-se fazer o que bem se entender, sua depredação é crime previsto em lei e é passível de punições.

Pintura rupestre de uma ave prejudicada por depredação no teto do Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa - Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.Figura 4: Pintura rupestre de uma ave prejudicada por depredação no teto do Abrigo Usina São Jorge – Ponta Grossa – Paraná. Foto: Jean Felipe Goes, 2009.

Mais uma vez precisamos cobrar a concretização urgente do Parque Nacional dos Campos Gerais, ele precisa sair “do papel”.

Caros leitores registrem sua passagem pelos sítios arqueológicos sim, como? Tirando uma foto em frente as pinturas, não é necessário nem tocá-las.

Os rabiscos sobre as pedras não ajudarão na perpetuação de sua passagem por esta terra, mas sim seus atos em prol da sociedade.

Quando estiverem nestes locais parem e tentem colocar-se no lugar das pessoas que ali viveram a milhares de anos, imaginem eles sentados vendo suas caças (os cervídeos, os gansos selvagens, as emas,…) nos imensos campos que circundam os vales dos rios abaixo do abrigo.

Deixem a consciência descer os vales, sintam o vento, a paz, sintam amor, desejem proteger estes locais, …, ops! É hora de acordar e quando retornarem tragam consigo todo o lixo que encontrarem!

Nos ajudem com sugestões e idéias de ações para minimizar o impacto causados pelos visitantes nos sítios de nossa região.

Fé é a persistência na concretização de algo em que acreditamos.

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GRAFISMORUPESTRE.COM. TIRU-PURUSHAM: O sagrado criador. Disponível em: www.grafismorupestre.com; Acessado em: xx/xx/xxxx.

Para fotografias:
Nome da fotografia. Fonte: www.grafismorupestre.com.

Referências

PARELLADA, C.I.; CREMONEZE, C.; BATTISTELLI, E.; SARAIVA, M.P. Vida indígena no Paraná: memória, presença, horizontes. Curitiba: Provopar Ação Social, 64p., www.artenossa.pr.gov.br, 2006.

SILVA, A.G.C. 1999. Pinturas rupestres do sítio arqueológico Abrigo Usina São Jorge, Ponta Grossa – PR. Ponta Grossa, UEPG-DEGEO, Monografia de Graduação do Curso de Bacharelado em Geografia, 52p.

2 comentários sobre “TIRU-PURUSHAM: O sagrado criador

  1. Dei uma rápida verificada no google tradutor e me deixa no mínimo curioso que a mesma pessoa a depredar as pinturas tenha conhecimento de hindi ou de tâmil, visto que “tiru-purushan” não tem nenhuma correspondência em toda a internet, nem mesmo no alfabeto devanagari ou no alfabeto tâmil.
    A propósito, vi resquícios de fuligem e de acampamento recente em abrigos do sítio Rio Pitangui II também.

    1. Caro Bruno, pois é inacreditável que pessoa com cultura suficiente para ter tais conhecimentos acabe depredando arte de uma cultura extinta que não terá mais oportunidade de fazê-la. Triste!
      Por favor, quando visitar Sítios Arqueológicos e encontrar lixo, fuligem, restos de fogueira ou depredações. Tente documentar, fotografar e filmar para nos enviar e divulgarmos esse descaso. Talvez possamos pressionar autoridades para melhor protegerem estes locais!
      Obrigado pelo interesse em nosso Site!

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